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Tarifa verde ou tarifa azul: como escolher a modalidade tarifária certa para a sua operação

Duas empresas idênticas podem pagar valores muito diferentes pela mesma energia. A diferença não está no consumo. Está em uma escolha contratual que muitos gestores nem sabem que fizeram: a modalidade tarifária.

Para empresas do Grupo A, existem duas modalidades principais: a tarifa Verde e a tarifa Azul. A escolha errada entre elas pode custar dezenas de milhares de reais por ano. Por outro lado, a troca para a modalidade correta não exige nenhum investimento, apenas análise e uma solicitação à distribuidora.

Neste artigo, explicamos como cada modalidade funciona, qual perfil de empresa se beneficia de cada uma e como fazer a análise que define a escolha certa.

O que são as modalidades tarifárias Verde e Azul

As modalidades tarifárias definem como a distribuidora cobra a energia da sua empresa. Elas combinam duas grandezas: o consumo (kWh) e a demanda (kW). A diferença entre Verde e Azul está justamente em como cada uma trata essas grandezas nos horários de ponta e fora de ponta.

Na tarifa Verde, a empresa contrata um único valor de demanda, válido para qualquer horário. Em contrapartida, o consumo no horário de ponta custa muito mais caro que fora de ponta. Ou seja: a Verde simplifica a demanda, mas penaliza fortemente o consumo na ponta.

Na tarifa Azul, a empresa contrata dois valores de demanda: um para o horário de ponta e outro para fora de ponta. O consumo também é diferenciado por horário, mas a penalização da ponta é menor que na Verde. Portanto, a Azul distribui o custo entre demanda e consumo.

Existe ainda uma regra de enquadramento obrigatório. De acordo com a Resolução Normativa nº 1.000/2021 da ANEEL, unidades com tensão igual ou superior a 69 kV devem ficar na tarifa Azul. Abaixo de 69 kV, a escolha entre Verde e Azul é livre, e é aí que mora a oportunidade.

Verde x Azul: comparação direta

Critério

Tarifa Verde Tarifa Azul
Demanda contratada Um único valor, sem distinção de horário Dois valores: um para ponta e outro para fora de ponta
Consumo (kWh) Diferenciado: ponta muito mais cara que fora de ponta Diferenciado: ponta mais cara, mas em proporção menor
Penalização da ponta Alta — o consumo na ponta pesa muito Menor — o custo se distribui entre demanda e consumo
Disponibilidade Apenas para tensão abaixo de 69 kV Opcional abaixo de 69 kV; compulsória a partir de 69 kV
Perfil ideal Empresas que conseguem reduzir ou parar a operação na ponta Operações contínuas, sem flexibilidade no horário de ponta
Complexidade de gestão Menor — uma demanda para acompanhar

Maior — duas demandas para dimensionar e monitorar

 

A tabela resume as diferenças estruturais. No entanto, a decisão correta não sai da tabela, sai da análise do perfil real de consumo da sua operação.

Quando a tarifa Verde compensa

A Verde é vantajosa para empresas com capacidade de modulação. Em outras palavras: operações que conseguem reduzir ou parar o consumo durante as três horas de ponta.

Alguns exemplos práticos. Indústrias que encerram o turno antes das 17h30. Operações que conseguem programar processos intensivos para a madrugada ou o início da tarde. Empresas com geração própria que assume a carga no horário de ponta.

Nesses casos, a empresa quase não consome na ponta. Em consequência, a penalização alta do consumo de ponta da Verde se torna irrelevante. E a demanda única, mais simples e geralmente mais barata, completa a vantagem.

Quando a tarifa Azul compensa

A Azul é indicada para operações contínuas. Ou seja: empresas que precisam operar durante o horário de ponta, sem flexibilidade para reduzir a carga.

Pense em supermercados, que atendem clientes justamente no início da noite. Hospitais, que não param nunca. Indústrias de processo contínuo, em que a parada custa mais que a energia. Centros de distribuição com janelas de operação fixas.

Para esses perfis, o consumo na ponta é inevitável. Portanto, a modalidade que menos penaliza esse consumo, a Azul, tende a gerar o menor custo total. A contrapartida é a gestão de duas demandas contratadas, que exige mais atenção.

O erro mais comum: migrar sem análise

A troca de modalidade parece simples, e é, do ponto de vista burocrático. No entanto, a decisão sem análise técnica gera dois erros recorrentes.

O primeiro erro: empresas migram para a Azul sem planejamento e dimensionam mal a demanda de ponta. Em consequência, pagam multas por ultrapassagem, que corresponde ao triplo da tarifa usual quando a demanda medida excede a tolerância. A economia esperada vira prejuízo.

O segundo erro: empresas permanecem na Verde por inércia, mesmo operando intensamente na ponta. Todos os meses, pagam o consumo de ponta com a penalização máxima. E ninguém questiona, porque a fatura sempre foi assim.

Em ambos os casos, a causa é a mesma: decisão sem dados. A modalidade certa não é uma questão de opinião, é uma questão de cálculo.

Como fazer a análise de enquadramento tarifário

A análise segue um método direto. Veja o passo a passo.

  • Reunir 12 meses de faturas. Esse período captura as variações sazonais da operação e evita decisões baseadas em meses atípicos.
  • Levantar quatro dados de cada mês: consumo na ponta (kWh), consumo fora de ponta (kWh), demanda máxima medida na ponta (kW) e demanda máxima fora de ponta (kW).
  • Obter as tarifas homologadas das duas modalidades. Elas estão disponíveis no site da ANEEL e no site da distribuidora.
  • Simular o custo anual nas duas modalidades. Aplicar as tarifas de cada modalidade sobre o histórico real de consumo e demanda.
  • Comparar os totais e avaliar a diferença. Se a economia da troca for consistente ao longo dos 12 meses, a migração se justifica.

Além do cálculo, vale avaliar o futuro da operação. Uma expansão prevista, uma mudança de turnos ou a instalação de geração própria alteram o perfil de consumo. Dessa forma, a modalidade ideal de hoje pode não ser a de amanhã.

Como solicitar a troca de modalidade

Definida a modalidade ideal, a troca é um procedimento contratual junto à distribuidora. Não há custo de adesão. Não há obra. Não há investimento em equipamentos.

No entanto, há regras de permanência. Após a alteração, a distribuidora pode exigir um período mínimo antes de nova mudança, geralmente 12 meses. Por isso, a análise precisa estar correta antes da solicitação. Trocar no impulso e se arrepender custa um ano de espera.

Conclusão

A escolha entre tarifa Verde e Azul define quanto sua empresa paga pela mesma energia. É uma das poucas decisões em gestão de custos que não exige investimento, apenas análise técnica sobre dados que a empresa já possui.

Ainda assim, a maioria das empresas nunca revisou o próprio enquadramento. A modalidade foi definida anos atrás, em outro contexto operacional, e permanece por inércia. Enquanto isso, a diferença entre a modalidade atual e a ideal escoa da fatura todos os meses.

Quando foi a última vez que sua empresa comparou o custo real nas duas modalidades? Se a resposta for ‘nunca’, essa análise pode ser o dinheiro mais fácil que sua operação vai economizar este ano.

 

Fale com a Ominira

Sua empresa está na modalidade tarifária certa? A Ominira faz a análise de enquadramento com base no seu histórico real.

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Sobre o autor

Roger Carneiro é fundador da Ominira Energia e especialista em gestão ativa de energia. Engenheiro com certificação ISSO 50001, atua há mais de cinco anos apoiando empresas do varejo, mineração e indústria a reduzirem custos com energia de forma independente. Entre os clientes atendidos estão Grupo Pão de Açúcar, Oxxo, Asun, Gold Diesel e GMX Gold.

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