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Energia reativa e fator de potência: a multa silenciosa que sua empresa paga todo mês sem perceber

Abra a fatura de energia da sua empresa agora. Procure as siglas UFER, FER, EREX ou ‘Energia Reativa Excedente’. Se qualquer uma delas aparecer, sua empresa paga uma multa sem nunca ter recebido esse nome.

Esse é um dos erros mais silenciosos nas faturas de energia do Grupo A. A cobrança existe, está regulamentada e é legítima. No entanto, ela aparece com nomes técnicos que a maioria dos gestores não reconhece como penalidade. Por isso, ela passa despercebida por meses ou anos.

Neste artigo, explicamos o que é a energia reativa, por que o fator de potência abaixo de 0,92 gera cobrança extra, como identificar esse custo na fatura e como eliminar esse problema com um investimento de retorno rápido.

O que é energia reativa e por que ela importa

A energia elétrica que alimenta uma empresa se divide em dois tipos. A energia ativa realiza trabalho útil: aciona motores, produz calor, alimenta sistemas. A energia reativa, por outro lado, circula entre os campos elétricos e magnéticos da instalação sem realizar trabalho.

De acordo com a Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021, a energia reativa é aquela que circula entre os campos elétricos e magnéticos de um sistema de corrente alternada sem produzir trabalho, expressa em kVArh (quilovolt-ampère-reativo-hora).

A energia reativa não gera trabalho útil. Ainda assim, ela ocupa espaço no sistema elétrico. Em consequência, ela sobrecarrega condutores, transformadores e cabos, que precisam transportar mais corrente para entregar a mesma quantidade de energia ativa.

Além do custo financeiro, a energia reativa excessiva causa problemas técnicos concretos. Por exemplo: aquecimento nos condutores, quedas de tensão e desgaste acelerado nos equipamentos da instalação.

O parâmetro que mede a relação entre energia ativa e reativa é o fator de potência. Ele varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, mais eficiente é o uso da energia elétrica. Quanto mais distante de 1, maior é a quantidade de energia reativa circulando sem produzir trabalho.

O limite legal e como a cobrança funciona

A ANEEL estabelece um fator de potência mínimo de 0,92 para consumidores do Grupo A, incluindo aquelas unidades que fazem opção de pelo faturamento em baixa tensão, os chamados B Optante. Esse limite consta no artigo 302 da Resolução Normativa nº 1.000/2021.

Quando o fator de potência cai abaixo de 0,92, a distribuidora cobra o excedente de energia reativa. Essa cobrança aparece na fatura com diferentes nomes, dependendo da distribuidora. Os mais comuns são:

  • UFER — Unidade de Faturamento de Energia Reativa
  • FER — Faturamento de Energia Reativa
  • EREX — Energia Reativa Excedente
  • DREX ou UFDR — Demanda Reativa Excedente

Portanto, quando uma dessas siglas aparece na fatura, ela representa uma penalidade por baixo fator de potência. Não é tarifa de consumo. Não é encargo setorial. É uma multa com outro nome.

A fórmula de cálculo estabelecida pela ANEEL é a seguinte:

Sendo que a tarifa aplicada para o cálculo do valor da multa é a tarifa de energia (TE) do subgrupo B1 em bandeira tarifária verde.

Vale ressaltar que para a apuração da energia reativa, alguns pontos precisam ser observados:

I – no período de 6 horas consecutivas, definido pela distribuidora entre as 23h30 e 6h30 apenas os fatores de potência medidos menores que 0,92 capacitivo, são apurados;

II – já para o período diário complementar ao definido em I, apenas os fatores de potência medidos menores que 0,92 indutivo, são apurados.

Ou seja, a energia reativa pode ter característica tanto indutiva quanto capacitiva.

Por que o fator de potência cai e por que ninguém percebe

O fator de potência baixo é inerente a qualquer instalação com motores elétricos, transformadores e equipamentos de refrigeração. Esses equipamentos geram energia reativa pelo próprio princípio de funcionamento. Portanto, supermercados, indústrias e mineradoras são naturalmente vulneráveis a esse problema.

No entanto, a instalação não nasce com fator de potência ruim. Ele se deteriora ao longo do tempo. Cada novo equipamento adicionado, um compressor, um motor, um sistema de refrigeração, aumenta a carga reativa da instalação. Dessa forma, o fator de potência cai gradualmente sem que ninguém perceba.

Em muitas empresas, essa queda ocorre ao longo de meses. A cobrança começa a aparecer na fatura com nomes técnicos que o gestor não reconhece. O departamento financeiro registra o custo como ‘energia’ e segue em frente. E assim a empresa paga o equivalente a uma multa todos os meses por anos.

Como identificar o problema na sua fatura

O processo de identificação é simples. Em primeiro lugar, colete as faturas dos últimos 12 meses. Em seguida, procure pelas siglas UFER, UFDR, FER, EREX ou DREX em cada documento. Se qualquer uma delas aparecer com valor acima de zero, sua empresa paga multa por reativos.

Em terceiro lugar, some o total pago nessas linhas ao longo dos 12 meses. Esse valor representa o custo anual do problema e define a urgência da correção.

Por fim, verifique a frequência. Se o problema aparece apenas em meses específicos, pode haver sazonalidade no uso de equipamentos. Se aparece todos os meses, a instalação tem deficiência estrutural de fator de potência e precisa de solução definitiva.

A solução: banco de capacitores

A correção do fator de potência segue um método bem estabelecido. Ela envolve a instalação de um banco de capacitores dimensionado para compensar a energia reativa gerada pelos equipamentos da instalação. Capacitores produzem energia reativa capacitiva, que cancela a reativa indutiva gerada pelos motores e transformadores.

O dimensionamento correto é fundamental. Um banco subdimensionado não resolve o problema. Um banco superdimensionado cria o problema inverso (fator de potência capacitivo, que também gera cobrança). Por isso, o dimensionamento precisa partir de uma análise crítica técnica do histórico de medições.

Em termos de investimento, o custo de um banco de capacitores varia conforme o porte da instalação. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (ABINEE), o payback médio de um banco de capacitores é de 3 a 5 meses. Na experiência prática com clientes da Ominira, o payback ficou em 4 meses.

Além disso, a correção do fator de potência traz benefícios técnicos além da eliminação da multa. Por exemplo: redução de perdas nos condutores, melhora na qualidade da tensão, aumento da capacidade disponível na instalação e prolongamento da vida útil dos equipamentos.

Quando o banco de capacitores não resolve sozinho

Em instalações com carga predominantemente variável, como linhas de produção com muitos motores de velocidade variável, o banco de capacitores fixo pode não ser suficiente. Nesses casos, a solução adequada é o banco automático de capacitores, que ajusta a compensação em tempo real conforme a carga da instalação.

Além disso, instalações com alta presença de harmônicos, gerados por inversores de frequência, UPS e equipamentos de eletrônica de potência, precisam de bancos dessintonizados. Esse tipo de banco inclui reatores em série que evitam a amplificação dos harmônicos pelo capacitor. Portanto, o diagnóstico correto da instalação define qual solução técnica aplicar.

Conclusão

A energia reativa excedente é uma multa com nome técnico. Ela aparece em siglas que o gestor não reconhece, mas impacta o resultado financeiro da empresa todos os meses. Em operações de grande porte, esse custo pode chegar a dezenas de milhares de reais por ano.

A boa notícia é que a solução é direta, tem custo relativamente baixo e retorno rápido. Em geral, o investimento em banco de capacitores se paga em menos de seis meses e o benefício é permanente enquanto a instalação estiver bem mantida.

Sua fatura tem UFER, FER ou EREX? Se sim, sua empresa paga essa multa. E quanto mais tempo demora para corrigir, mais dinheiro vai embora sem nenhum trabalho útil em troca.

 

Fale com a Ominira

Sua fatura tem UFER, FER ou EREX? A Ominira faz o diagnóstico e dimensiona a correção.

Fale com a gente – (11) 91000-5046ominiraenergia.com.br

Sobre o autor

Roger Carneiro é fundador da Ominira Energia e especialista em gestão ativa de energia. Engenheiro, com certificação ISO 50001, atua há mais de cinco anos apoiando empresas do varejo, mineração e indústria a reduzirem custos com energia de forma independente. Entre os clientes atendidos estão Grupo Pão de Açúcar, Oxxo, Asun, Gold Diesel e GMX Gold.

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